O serão memorável de ontem foi seguido de um bom sono, mas muito curto. Com o mosquiteiro por cima da cama, acordei e, ao olhar para o relógio, vi que eram 3:15. Retocamos as malas, saímos do quarto, tomamos um leve pequeno-almoço e ficamos à espera do motorista para nos levar ao aeroporto. A viagem foi bem mais rápida do que a de vinda, mesmo assim foram 40 minutos.
Gora levantamos voo e já vemos a imponente montanha, mais alta do que este avião está a voar (18.000 pés faca aos 19840 do Kili). É uma visão magnífica e que levarei sempre comigo.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
Kilimanjaro – Dia 9 – 22:21
Com o final do dia tivemos os membros da nossa expedição (principalmente os guias) entregarem os diplomas relativos à nossa subida. Houve em primeiro lugar a parte mais “comercial” com os discursos mais ou menos preparados. No entanto, depois disso, o Bruce (o guia principal) ficou a falar comigo e com o Chico da experiência que foi conviver connosco. Ficamos os dois sentidos com as palavras dele e com a emoção dele, a qual ia dando em choradeira. Com isso é que não contávamos e foi bom ver que gentes tão diferentes são, no seu âmago, tão iguais. Cada vez mais posso dizer que esta viagem me fez passar frio, me fez suar, me fez praguejar, me fez sofrer, me fez olhar para mim e que também me fez, não mudar, mas refinar o que sou. Fez-me focar no que de nós fica nos outros. África, hás-de ficar no meu coração, pelo que dás, pelo que tens, pelo que pedes e pelas recordações que deixas. Assanti sama! (muito obrigado)
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 9 – 18:10
Homem renovado, é como me sinto. Já fiz a mala e acima de tudo tomei um banho. Melhor dizendo, tomei o equivalente a 3 banhos. Até sentir a água no couro cabeludo demorou, demorou, demorou... Quando esse momento chegou, foi uma curiosa impressão. Parecia uma quebra nos 7 dias que tive. Como um despertador a acordar-me para o trabalho. Agora sei que esta jornada está a chegar ao fim, que a rotina voltará em breve e que terei de novo as minhas responsabilidades.
Mesmo assim, este tipo de férias tem uma grande vantagem. No retorno não há propriamente aquele pensamento “estava tão bem de férias...”, ainda para mais depois desta jornada completa com gosto e com sucesso. Saio renovado, modesto, confiante, limpo e acima de tudo...melhor.
Mesmo assim, este tipo de férias tem uma grande vantagem. No retorno não há propriamente aquele pensamento “estava tão bem de férias...”, ainda para mais depois desta jornada completa com gosto e com sucesso. Saio renovado, modesto, confiante, limpo e acima de tudo...melhor.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 9 – 16:02
Estou finalmente no hotel, parece que estou num mundo bem diferente do que estive nestes últimos 7 dias. Quando cheguei há uma semana pensei que era um sítio fraco mas que chegava para o gasto. Agora parece-me que subiu de qualidade consideravelmente, algo que também é afectado pela minha mudança de referencial. Tratamos de algumas burocracias, fizemos umas singelas compras, sendo que agora, resta-nos encontrar com o nosso saco que está algures perdido pelo hotel. Não está fácil de aparecer, e continuando assim, vamos com um curioso perfume para a pátria.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 9 – 9:15
Na noite de hoje, pela primeira vez desde que iniciei a caminhada, dormi ferrado, quase que sem dó nem piedade. Quando acordei, estava muito melhor, mas mesmo tendo em conta a melhoria, as pernas ainda estavam como se tivessem levado repetidas vezes com um estadulho. Agora restam umas singelas 3 horas de caminhada, a qual termina em “Marangu Gate” e lá findaremos esta subida à maior montanha de África.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
sábado, 18 de setembro de 2010
Kilimanjaro – Dia 8 – 18:30
Após acordar de madrugada, de subir a montanha isolada mais alta do mundo em 6h, ainda achamos que seria boa ideia fazer uma leve caminhada de 20km para o campo pelo qual só passaríamos amanhã à tarde, isso resultaria em fazermos tudo a correr no hotel, sendo que a ideia era precisamente ter mais tempo para tratarmos de tudo com calma.
Apesar das boas intenções, a distância foi em demasia e só gente muito teimosa (felizmente como nós) é que se dá a isso. O resultado da nossa demanda foi que, quer eu, quer o Chico, chegássemos completamente estragados. Ele mais devido ao joelho estragado que tem.
Com esforço colocamos tudo na tenda e ele já tenta dormir. Eu ainda quero comer e sem sombra de dúvida descansar, pois depois deste martírio, é o que mereço. Além do mais, qualquer movimento que faço parece uma sessão de auto-tortura, e das boas!
Apesar das boas intenções, a distância foi em demasia e só gente muito teimosa (felizmente como nós) é que se dá a isso. O resultado da nossa demanda foi que, quer eu, quer o Chico, chegássemos completamente estragados. Ele mais devido ao joelho estragado que tem.
Com esforço colocamos tudo na tenda e ele já tenta dormir. Eu ainda quero comer e sem sombra de dúvida descansar, pois depois deste martírio, é o que mereço. Além do mais, qualquer movimento que faço parece uma sessão de auto-tortura, e das boas!
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 8 – 9:12
A descida do cume foi bem rápida, isto se compararmos com a subida. Esta, apesar de maltratar muito os joelhos, foi passada a correr e pelas 8:25 já estávamos na tenda. Fomos tão rápidos na subida e descida que o nosso guia principal, o Bruce, nem acreditou e teve que perguntar as horas a mim e a outra pessoa.
Mas com tudo isto o corpo está derreado, sendo que ainda temos mais 22km para fazer, de maneira a amanhã conseguirmos chegar cedo ao hotel, e isto depois dos 18km desta madrugada não sei o que dará...
Mas com tudo isto o corpo está derreado, sendo que ainda temos mais 22km para fazer, de maneira a amanhã conseguirmos chegar cedo ao hotel, e isto depois dos 18km desta madrugada não sei o que dará...
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 8 – 6:08
Como se não bastasse, o frio começou a apertar. Deviam estar pelo menos -15ºC, pois a sensação nas mãos era a mesma que tive em Andorra este ano ao utilizar o mesmo equipamento (e lá apanhei -18ºC).
O topo não chegava, parecia um disforme e inatingível vulto, sendo que o pior era sentir o que se apoderava de mim, o cansaço. Foi tamanho o ataque que pensei que ficaria ali mesmo. A teimosia era maior, esbofeteei-me mentalmente e prossegui com aquela tortura. Aqueles milhões de passos inconsequentes que pareciam levar a lado nenhum não tinham meio de acabar.
O ritmo ia sendo certo e passamos 5 grupos que tinham partido antes de nós. Os passos sucediam-se, acompanhados de muito frio e escuridão. Só o belíssimo manto de estrelas ajudava à distração daquele triste fado.
Até que, quase do nada, um dos guias que foi à frente, fez sinal que a pior parte estava a terminar. O ponto é “Gilman’s Point”, a mais de 5600mt. Depois de uma subida a cerca de 30º paramos, ofereceram-nos um chá que, com o seu calor, era como combustível nuclear pronto a ser usado. Agora ainda tínhamos cerca de 2 horas de caminhada até chegar ao pico Uhuru, a 5895mt. A inclinação deixou de ter dói dígitos para ter só um, a progressão foi mais rápida, mas sempre com a bomba no peito.
A moral via-se que era outra e apesar dos cansados passos de caracol, fomos prosseguindo. Cruzamo-nos com o final das rotas “Coca-cola” (as mais fáceis, ao invés da nossa que era uma rota Whiskey), e lembrei-me que parecíamos inúmeros monges em peregrinação para um qualquer local santo. Tudo custava até que, entre o desgaste supremo, vi o meu destino, o pico. Fiquei irado, praguejei e estando farto daquela interminável caminhada, acelerei o passo. Quase parecia marcha de competição, passei o guia, passei mais 2 grupos e continuei sem parar. Quem me olhasse devia encontrar um olhar furioso e fora de controlo, mas eu só queria chegar ao topo. Num instante lá estava e a dois passos parei e sentei-me. Parei não porque estivesse cansado, mas porque disse para mim mesmo “está provado que consigo”.
Tiramos fotografias e pude ver o mais belo nascer do Sol que alguma vez presenciei. O Sol começou a aparecer entre as nuvens, como que algo alienígena que do nada surgia. A euforia chegou e era tempo de descer os quase 1200mt que tanto custaram a percorrer para retornarmos a “Kibo Hut”.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Kilimanjaro – Dia 7 – 18:32
A hora H aproxima-se, a ansiedade cresce e tudo fervilha cá por dentro. Até lá o descanso é muito importante, mas não sei se o tenho. O jantar foi curto, o frio aperta, as ideias dissipam-se e só o pico Uhuru está presente em mim. Em breve...o dia mais longo.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 7 – 13:27
Acordamos, ou melhor, levantamo-nos pelas 6:20 (umas agradáveis 4:20 na pátria) e apesar do cansaço, arrumamos tudo e deixamos “Mawenzi Tam” para seguirmos para “Kibo Hut”, o último porto antes da derradeira subida. Ao longo de 9 km, passamos dos 4315mt para os 4703mt. A caminhada foi a um bom ritmo e em 3 horas percorremos a desolada planície. Os últimos 2km foram um desafio pois eram sempre a subir, algo que a esta altitude é um grande desafio.
Pelo caminho ainda passamos pelos destroços de uma avioneta, a qual se despenhou há 3 anos. O nevoeiro foi o inimigo e só o piloto saiu para contar a história.
Chegados a “Kibo Hut”, a montanha Kibo (que é o nome da montanha mais alta do parque Kilimanjaro) intimida qualquer um. Deste ponto, e nuns escassos 6km, sobem-se cerca de 1200mt.
Efectuamos o registo que permite à gestão do parque ter alguma noção do progresso dos visitantes e, segundo indicação do nosso guia Bruce, parece que nos dão um diploma no final.
Já na tenda, a nossa amiga Joanna do Canadá (que está a fazer o mesmo percurso mas em 6 dias), veio à nossa procura e falou-nos da sua subida. Uma coisa sublinhou, o frio! “Levem toda a roupa que tiverem”, disse. Também nos disse que o trajecto que fizemos hoje (em 3h), demorou-lhe 4h, o que é um bom presságio para nós. Para compensar, começou a cair algum granizo e, continuando assim, a nossa saída pela meia-noite será dura.
Resta agora descansar para poder enfrentar com mais força a noite mais longa.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Kilimanjaro – Dia 6 – 3:41
Outra coisa que me saltou à vista é a muito frequente necessidade de aliviar a bexiga, uma consequência do trabalho extraordinário realizado pelos rins, mas principalmente pelo fígado. O qual, por estes dias, tem produzido glóbulos vermelhos a um ritmo frenético. Apesar desse trabalho extra, nota-se ainda a minha lacuna nesse campo, ao ter as minhas pulsações entre as 80 e 90 por minuto, ao invés das 50/60 como é hábito. Perante isto, rapidamente percebo a dificuldade em exercitar. Se normalmente partia dos 60 batimentos por minuto para os 120 (um belo número para servir de limite), agora parto logo dos 90. Vendo este pequeno intervalo é fácil de perceber o comentário dos guias: “poli, poli” (devagar, devagar).
O dia de hoje tem como objectivo habituarmo-nos ao pouco oxigénio que estas bandas têm, afinal já estamos mais alto que certos aviões (vá, dos pequenos) voam. E foi com essa ideia que partimos para uma voltinha de 4 horas. Saímos pelas 10h para chegar a umas matemáticas 14:01. O passeio contou com o George (que afinal é Jogi, foneticamente) e com o Dila, o nosso ajudante de cozinha, que parece que está a aprender para ser guia.
Com a chegada ao acampamento, agora mais deserto dado que as outras expedições tinham menos um dia que a nossa, tivemos um belo almoço. Mais uma vez, os ingleses que estão connosco só se queixam da comida, mas para mim é certamente muito melhor do que esperava.
Segue-se uma sesta, porque o dia da subida está a chegar, e esse sim, será longo.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Kilimanjaro – Dia 5 – 17:30
Um passeio curto para nos elevarmos até aos 4500mt sublinha a regra que os guias nos dizem “Poli, poli” (devagar, devagar). Com o oxigénio a ser cada vez mais reduzido, o coração começa logo a entrar em ritmo acelerado para fazer chegar o precioso gás às carenciadas células. Há, no entanto, algo curioso, o descer. Depois de chegarmos ao ponto mais alto do passeio, voltar para os 4315mt parece a coisa mais simples que se tem de fazer. É verdade que a diferença é diminuta, mas a cabeça diz “vai, que assim estás bem!”.
Amanhã a climatização será mais desgastante. A ideia é subir até aos 4600mt e voltar, sendo que também será num passeio de maior distância. Assim, não descorando a leve dor de cabeça, só me tenho de lembrar de uma coisa “poli, poli”.
Amanhã a climatização será mais desgastante. A ideia é subir até aos 4600mt e voltar, sendo que também será num passeio de maior distância. Assim, não descorando a leve dor de cabeça, só me tenho de lembrar de uma coisa “poli, poli”.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 5 – 15:26
“Mawenzi Tam” é um pequeno planalto com um também pequeno lago. Inundado por um nevoeiro cerrado que não me diz se aquece ou arrefece o ambiente. A estes singelos 4315mt, a temperatura, se o Sol não mostrar a cara, é baixa, nem quero pensar como será de noite. O que vale é que ainda estamos a ser poupados na roupa, isto é, estamos a forçar usar pouca roupa. O que me leva a fazer isto é o dia da última subida. Nessa altura o desafio será colossal. A escalada é de mais de 1100mt, a subida será iniciada à meia-noite (o que para quem não terá reparado, implica andar durante a fria noite). Além disso, será um dia de 12h a andar, o que nunca é fácil.
Agora seguem-se mais umas curtas saídas para nos aclimatarmos com o pouco ar que temos.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 5 – 10:20
Hoje está a ser uma boa subida. Estes mais de 800mt, de subida de cota, até à hora de almoço fazem-se notar na paisagem. Para trás deixamos a floresta e agora só restam pequenos arbustos e muitas rochas. Uma paisagem desoladora que, se não fosse a magnífica vista sobre a savana, seria muito mais desinteressante.
Ainda nos faltam 1:30h para o nosso destino e consequente manjar.
Ainda nos faltam 1:30h para o nosso destino e consequente manjar.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Kilimanjaro – Dia 5 – 7:28
A noite foi dura, o sono não aparecia e o meu corpo estava a uma temperatura estranha, com as pernas quentes, o tronco a uma boa temperatura mas acho que a cabeça fria. Mesmo assim o que me parece o maior problema foi a altitude. Felizmente já não há dor de cabeça e hoje temos uma caminhada curta de 3 horas. Será só de manhã e ficaremos em “Mawenzi Tam”, a 4315 metros. É uma subida que parte dos 3600mt em que são 6km para subir 815mt. De qualquer modo, com o cansaço que tenho, a dificuldade será acrescida.
Marcadores:
férias,
kilimanjaro,
trekking
Assinar:
Postagens (Atom)
