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domingo, 19 de setembro de 2010

Kilimanjaro – Dia 9 – 9:15


Depois da apoteose de ontem, ver o topo do mundo e presenciar um nascer do Sol único, tivemos uma desgastante caminhada. Felizmente o parque de campismo era muito bom. Muita relva, macacos a saltar nas árvores e acima de tudo, à noite, só estava frio, e não gélido como nos últimos dias. Foi a diferença de descer dos 5895 metros para os 2700 metros.
Na noite de hoje, pela primeira vez desde que iniciei a caminhada, dormi ferrado, quase que sem dó nem piedade. Quando acordei, estava muito melhor, mas mesmo tendo em conta a melhoria, as pernas ainda estavam como se tivessem levado repetidas vezes com um estadulho. Agora restam umas singelas 3 horas de caminhada, a qual termina em “Marangu Gate” e lá findaremos esta subida à maior montanha de África.

sábado, 18 de setembro de 2010

Kilimanjaro – Dia 8 – 18:30

Após acordar de madrugada, de subir a montanha isolada mais alta do mundo em 6h, ainda achamos que seria boa ideia fazer uma leve caminhada de 20km para o campo pelo qual só passaríamos amanhã à tarde, isso resultaria em fazermos tudo a correr no hotel, sendo que a ideia era precisamente ter mais tempo para tratarmos de tudo com calma.
Apesar das boas intenções, a distância foi em demasia e só gente muito teimosa (felizmente como nós) é que se dá a isso. O resultado da nossa demanda foi que, quer eu, quer o Chico, chegássemos completamente estragados. Ele mais devido ao joelho estragado que tem.
Com esforço colocamos tudo na tenda e ele já tenta dormir. Eu ainda quero comer e sem sombra de dúvida descansar, pois depois deste martírio, é o que mereço. Além do mais, qualquer movimento que faço parece uma sessão de auto-tortura, e das boas!

Kilimanjaro – Dia 8 – 9:12

A descida do cume foi bem rápida, isto se compararmos com a subida. Esta, apesar de maltratar muito os joelhos, foi passada a correr e pelas 8:25 já estávamos na tenda. Fomos tão rápidos na subida e descida que o nosso guia principal, o Bruce, nem acreditou e teve que perguntar as horas a mim e a outra pessoa.
Mas com tudo isto o corpo está derreado, sendo que ainda temos mais 22km para fazer, de maneira a amanhã conseguirmos chegar cedo ao hotel, e isto depois dos 18km desta madrugada não sei o que dará...

Kilimanjaro – Dia 8 – 6:08


A noite era escura, no céu só a lua e infinitas estrelas acompanhavam os caminhantes. Deixamos o acampamento dos 4703mt pelas 0:15. A penumbra era só quebrada pelas lanternas de quem ascendia, parecem dezenas de pirilampos que se mexiam como caracóis. O nosso destino estava envolto em penumbra e só conseguíamos ver escassos metros. A subida tornou-se assim num exercício de paciência. Um passo de cada vez, sendo que um passo era por o fim da bota que avançava ao nível da biqueira da que ficava. Parece uma ridícula marcha fúnebre, mas só esse curto movimento era o suficiente para o coração bater e causar a sensação que o peito ia explodir. Afinal de contas há cerca de metade do oxigénio nesta altitude face ao que existe ao nível do mar.
Como se não bastasse, o frio começou a apertar. Deviam estar pelo menos -15ºC, pois a sensação nas mãos era a mesma que tive em Andorra este ano ao utilizar o mesmo equipamento (e lá apanhei -18ºC).
O topo não chegava, parecia um disforme e inatingível vulto, sendo que o pior era sentir o que se apoderava de mim, o cansaço. Foi tamanho o ataque que pensei que ficaria ali mesmo. A teimosia era maior, esbofeteei-me mentalmente e prossegui com aquela tortura. Aqueles milhões de passos inconsequentes que pareciam levar a lado nenhum não tinham meio de acabar.
O ritmo ia sendo certo e passamos 5 grupos que tinham partido antes de nós. Os passos sucediam-se, acompanhados de muito frio e escuridão. Só o belíssimo manto de estrelas ajudava à distração daquele triste fado.
Até que, quase do nada, um dos guias que foi à frente, fez sinal que a pior parte estava a terminar. O ponto é “Gilman’s Point”, a mais de 5600mt. Depois de uma subida a cerca de 30º paramos, ofereceram-nos um chá que, com o seu calor, era como combustível nuclear pronto a ser usado. Agora ainda tínhamos cerca de 2 horas de caminhada até chegar ao pico Uhuru, a 5895mt. A inclinação deixou de ter dói dígitos para ter só um, a progressão foi mais rápida, mas sempre com a bomba no peito.
A moral via-se que era outra e apesar dos cansados passos de caracol, fomos prosseguindo. Cruzamo-nos com o final das rotas “Coca-cola” (as mais fáceis, ao invés da nossa que era uma rota Whiskey), e lembrei-me que parecíamos inúmeros monges em peregrinação para um qualquer local santo. Tudo custava até que, entre o desgaste supremo, vi o meu destino, o pico. Fiquei irado, praguejei e estando farto daquela interminável caminhada, acelerei o passo. Quase parecia marcha de competição, passei o guia, passei mais 2 grupos e continuei sem parar. Quem me olhasse devia encontrar um olhar furioso e fora de controlo, mas eu só queria chegar ao topo. Num instante lá estava e a dois passos parei e sentei-me. Parei não porque estivesse cansado, mas porque disse para mim mesmo “está provado que consigo”.
Tiramos fotografias e pude ver o mais belo nascer do Sol que alguma vez presenciei. O Sol começou a aparecer entre as nuvens, como que algo alienígena que do nada surgia. A euforia chegou e era tempo de descer os quase 1200mt que tanto custaram a percorrer para retornarmos a “Kibo Hut”.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Kilimanjaro – Dia 7 – 18:32

A hora H aproxima-se, a ansiedade cresce e tudo fervilha cá por dentro. Até lá o descanso é muito importante, mas não sei se o tenho. O jantar foi curto, o frio aperta, as ideias dissipam-se e só o pico Uhuru está presente em mim. Em breve...o dia mais longo.

Kilimanjaro – Dia 7 – 13:27

A noite de ontem foi muito frustrante. Quer eu, quer o Chico não conseguimos pregar olho devido a termos os pés gelados. Parece um mal de família, o qual, por muito confortável que esteja o corpo, se os pés estão frios, não há sono que chegue. Pode-se dizer que a noite foi a mais fria que apanhamos.
Acordamos, ou melhor, levantamo-nos pelas 6:20 (umas agradáveis 4:20 na pátria) e apesar do cansaço, arrumamos tudo e deixamos “Mawenzi Tam” para seguirmos para “Kibo Hut”, o último porto antes da derradeira subida. Ao longo de 9 km, passamos dos 4315mt para os 4703mt. A caminhada foi a um bom ritmo e em 3 horas percorremos a desolada planície. Os últimos 2km foram um desafio pois eram sempre a subir, algo que a esta altitude é um grande desafio.
Pelo caminho ainda passamos pelos destroços de uma avioneta, a qual se despenhou há 3 anos. O nevoeiro foi o inimigo e só o piloto saiu para contar a história.
Chegados a “Kibo Hut”, a montanha Kibo (que é o nome da montanha mais alta do parque Kilimanjaro) intimida qualquer um. Deste ponto, e nuns escassos 6km, sobem-se cerca de 1200mt.
Efectuamos o registo que permite à gestão do parque ter alguma noção do progresso dos visitantes e, segundo indicação do nosso guia Bruce, parece que nos dão um diploma no final.
Já na tenda, a nossa amiga Joanna do Canadá (que está a fazer o mesmo percurso mas em 6 dias), veio à nossa procura e falou-nos da sua subida. Uma coisa sublinhou, o frio! “Levem toda a roupa que tiverem”, disse. Também nos disse que o trajecto que fizemos hoje (em 3h), demorou-lhe 4h, o que é um bom presságio para nós. Para compensar, começou a cair algum granizo e, continuando assim, a nossa saída pela meia-noite será dura.
Resta agora descansar para poder enfrentar com mais força a noite mais longa.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Kilimanjaro – Dia 6 – 3:41

Hoje acordei de uma noite algo longa. Mesmo assim, menos longa que a de ontem, e também com uma grande benesse, as dores de cabeça passaram. O Chico ainda tem uma impressão, mas chegamos à coclusão que será dos óculos de sol dele, que são bem mais claros que os meus.
Outra coisa que me saltou à vista é a muito frequente necessidade de aliviar a bexiga, uma consequência do trabalho extraordinário realizado pelos rins, mas principalmente pelo fígado. O qual, por estes dias, tem produzido glóbulos vermelhos a um ritmo frenético. Apesar desse trabalho extra, nota-se ainda a minha lacuna nesse campo, ao ter as minhas pulsações entre as 80 e 90 por minuto, ao invés das 50/60 como é hábito. Perante isto, rapidamente percebo a dificuldade em exercitar. Se normalmente partia dos 60 batimentos por minuto para os 120 (um belo número para servir de limite), agora parto logo dos 90. Vendo este pequeno intervalo é fácil de perceber o comentário dos guias: “poli, poli” (devagar, devagar).
O dia de hoje tem como objectivo habituarmo-nos ao pouco oxigénio que estas bandas têm, afinal já estamos mais alto que certos aviões (vá, dos pequenos) voam. E foi com essa ideia que partimos para uma voltinha de 4 horas. Saímos pelas 10h para chegar a umas matemáticas 14:01. O passeio contou com o George (que afinal é Jogi, foneticamente) e com o Dila, o nosso ajudante de cozinha, que parece que está a aprender para ser guia.
Com a chegada ao acampamento, agora mais deserto dado que as outras expedições tinham menos um dia que a nossa, tivemos um belo almoço. Mais uma vez, os ingleses que estão connosco só se queixam da comida, mas para mim é certamente muito melhor do que esperava.
Segue-se uma sesta, porque o dia da subida está a chegar, e esse sim, será longo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Kilimanjaro – Dia 5 – 17:30

Um passeio curto para nos elevarmos até aos 4500mt sublinha a regra que os guias nos dizem “Poli, poli” (devagar, devagar). Com o oxigénio a ser cada vez mais reduzido, o coração começa logo a entrar em ritmo acelerado para fazer chegar o precioso gás às carenciadas células. Há, no entanto, algo curioso, o descer. Depois de chegarmos ao ponto mais alto do passeio, voltar para os 4315mt parece a coisa mais simples que se tem de fazer. É verdade que a diferença é diminuta, mas a cabeça diz “vai, que assim estás bem!”.
Amanhã a climatização será mais desgastante. A ideia é subir até aos 4600mt e voltar, sendo que também será num passeio de maior distância. Assim, não descorando a leve dor de cabeça, só me tenho de lembrar de uma coisa “poli, poli”.

Kilimanjaro – Dia 5 – 15:26

Chegamos ao nosso destino pelas 11:30. Acabamos por fazer um bom tempo apesar da elevação que tivemos de percorrer. Cada vez mais um passo é um desafio. As pernas parecem que só se alimentam de ácido lácteo e uma inspiração não nos traz o ar que se espera.
“Mawenzi Tam” é um pequeno planalto com um também pequeno lago. Inundado por um  nevoeiro cerrado que não me diz se aquece ou arrefece o ambiente. A estes singelos 4315mt, a temperatura, se o Sol não mostrar a cara, é baixa, nem quero pensar como será de noite. O que vale é que ainda estamos a ser poupados na roupa, isto é, estamos a forçar usar pouca roupa. O que me leva a fazer isto é o dia da última subida. Nessa altura o desafio será colossal. A escalada é de mais de 1100mt, a subida será iniciada à meia-noite (o que para quem não terá reparado, implica andar durante a fria noite). Além disso, será um dia de 12h a andar, o que nunca é fácil.
Agora seguem-se mais umas curtas saídas para nos aclimatarmos com o pouco ar que temos.

Kilimanjaro – Dia 5 – 10:20

Hoje está a ser uma boa subida. Estes mais de 800mt, de subida de cota, até à hora de almoço fazem-se notar na paisagem. Para trás deixamos a floresta e agora só restam pequenos arbustos e muitas rochas. Uma paisagem desoladora que, se não fosse a magnífica vista sobre a savana, seria muito mais desinteressante.
Ainda nos faltam 1:30h para o nosso destino e consequente manjar.

Kilimanjaro – Dia 5 – 7:28

 A noite foi dura, o sono não aparecia e o meu corpo estava a uma temperatura estranha, com as pernas quentes, o tronco a uma boa temperatura mas acho que a cabeça fria. Mesmo assim o que me parece o maior problema foi a altitude. Felizmente já não há dor de cabeça e hoje temos uma caminhada curta de 3 horas. Será só de manhã e ficaremos em “Mawenzi Tam”, a 4315 metros. É uma subida que parte dos 3600mt em que são 6km para subir 815mt. De qualquer modo, com o cansaço que tenho, a dificuldade será acrescida.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Kilimanjaro - Dia 4 - 17:21

É incrível a terra neste país. É tão fina que mete-se em todo o lado. Se me assoar fico com um lenço preto. O simples facto de ser tão fina é que, ao limpar de um lado, parece que sujamos noutro. O mais correcto para descrever a situação é como um verdadeiro esforço inglório e infrutífero.
De qualquer modo, a simpatia dos nativos é díficil de quantificar. No caso do nosso guia secundário, o George, há sempre um grande sorriso com ele. Mais ainda, quando disse que queria aprender algumas palavras de Swahili, parece que ainda ganhou mais motivos para sorrir. Agora, sempre que pode, atira-me uma palavra nova, como se fosse um desafio que eu tivesse para superar.
Neste momento, depois do nosso lanche de pipocas e chá, vimos uns corvos a tentarem roubar o jantar de peixe. Valeu-nos a intervenção do George e a passividade das aves. Estes corvos são curiosos, pois têm o colarinho branco e ostentam uma envergadura bem superior ao que estamos habituados.
Por esta altura começo é a sentir alguma reacção à altitude. Nomeadamente com uma dor de cabeça, felizmente não é castrativa e uma sesta deverá ajudar.

Kilimanjaro - Dia 4 - 15:20

Acabamos a caminhada por hoje. Os trilhos eram mais técnicos, o que para além dos altos e baixos, ajudou ao cansaço. Agora, montam as tendas enquanto a névoa torna a encosta mais tenebrosa e pouco acolhedora.
Quanto ao equipamento de hoje, fiz uma má escolha. As meias foram quentes demais para o dia que tive, o que pode resultar em algumas bolhas. No entanto ainda não vi como estão os pés, que por este andar, caminham para tocos.
Agora a tenda é o meu destino, assim como um merecido descanso.

Kilimanjaro - Dia 4 - 12:30

As refeições mesmo neste local recôndito de África são muito bem confeccionadas. A qualidade também parece uma preocupação. Ainda não houve qualquer problema com as entranhas, o que não deixa de ser um ponto muito positivo.
Apesar destas mordomias todas, uma coisa é certa, há uma calma na montanha que é muito difícil de descrever. Parece que estamos isolados do mundo e ao mesmo tempo, por estarmos tão alto, parece que tudo está tão perto.
Vou continuar a saborear esta acalmia com o respeito que a montanha merece.

Kilimanjaro - Dia 4 - 11:42

Chegamos agora à “Rongai 2nd Cave”. A caminhada foi a um bom ritmo, mais rápido que ontem. Hoje deu para suar e a esta altitude (3450 metros) ainda não há frio ou problemas de altitude.
Nesta clareira já conseguimos ver a imponência da montanha. Por outro lado a planície africana já está escondida pelas muitas nuvens.
Posso dizer que há mais luxo do que estava à espera. Como é o caso de uma sanita, almoços quentes entre outros pontos. É algo que tira dificuldade ao desafio e até algum glamour.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Kilimanjaro - Dia 3 - 21:45

Posso dizer que nesta parte do mundo anoitece e com bastante rapidez. A esta hora não há brilho que nos ajude. A bruma que envolve o encampamento é tal que só se ouvem os grilos e demais alpinistas.
Por esta hora já jantamos, sendo que o jantar foi uma bela surpresa. Tivemos direito a uma refeição excelente. Certo que a sopa de pepino tinha pimenta a mais, mas tudo o resto era bem bom. Definitivamente mais do que esperava.
Como o Chico salientou, eles reforçam alguma segregação, na medida em que indicam-nos para ficar nas tendas. Algo que os ingleses que sobem conosco apreciam, mas já os tugas perferiam de outro modo.
Durante o dia tivemos duas canadianas a subir conosco. Seguem o mesmo trajecto, mas em 6 dias (ao invés de nós que fazemos a ascenção em 7 dias). Uma delas é bem conversadora, mas a minha memória para nomes fez com que isso das denominações sociais se desvanecesse, mesmo assim, saliento a boa disposição e simpatia dela. Pode-se dizer que está a anos-luz dos dois ingleses que nos sairam na rifa. Infelizmente parece que não vamos mais caminhar com elas.
Já no que toca às caminhadas, ficamos abaixo do esperado, em "Simba Cap", que é a 600 metros (de elevação) de cota de "Rongai 2nd Cave". Por isso o dia de amanhã será duro. Mesmo assim, e até lá, conto com uma noite que espero bem passada, já que, do dia para a noite, a diferença térmica é enorme.

Kilimanjaro - Dia 3 - 16:13

Chegamos ao acampamento faz 20 minutos. A caminhada foi lenta, não pela dificuldade da mesma, mas pela velocidade. O nosso guia de serviço, o George, veio muito devagar. O motivo era o acampamento não estar pronto.
Agora esperamos por um lanche que aqueça o corpo e a alma. Por esta altura temos muita vegetação e a pouca inclinação ainda não deixam ver a montanha. A altitude ainda não se fez sentir e por isso pode-se dizer que estamos tranquilos. Segue-se um manjar com chá e pipocas, o qual tem muito bom aspecto.

Kilimanjaro - Dia 3 - 13:35

Depois de umas horas de viagem, circundamos a grande montanha. A porta de Rongai é a nordentes, sendo que Moshi, onde estavamos alojados é a sudoeste. Por esta altura estamos a certa de 2000 metros de altitude e temos 3 horas de viagem para as pernas. Conosco estão mais 2 inglêses, pai e filha. Ainda algo calados, sendo que é de esperar que seja pelo primeiro contacto e não por serem mudos.
Quanto ao ambiente, depois de sairmos de Moshi, com os seus 800.000 habitantes, temos sempre gente a sorrir e a acenar. Se as gentes da viagem o façam por talvez esperarem uma grojeta, muitos outros parecem ser verdadeiramente cândidos na sua expressão. Achei ainda piada a um grupo de 8 míudos que nos vieram logo interpolar no restaurante onde almoçamos. O Chico tinha uns caramelos que desapareceram rapidamente, perante o apetite dos petizes. Fico com curiosidade de passar uns tempos a ajudar numa missão para viver essa gratidão tão genuína, embora consciente que não fosse a primeira pessoa a fazê-lo.

Fico agora neste descanso, nesta calma, sem telemóveis, carros, confusão. Apenas nós e o desafio que enfrentamos. A planície e a música são tudo o que a alma precisa neste momento.
P.S.- É curioso as intermináveis plantações de bananas e também, no supé da montanha, de pinheiros mexicanos, os quais são plantados pela sua madeira que será utilizada para construção.

Kilimanjaro - Dia 3 - 8:56


Ontem o dia teve que fazer, o cansaço apertava e entre algum descanso deu para, de tarde, dormir um pouco até às 17h. Nessa altura seguimos para o breifing da viagem. Falaram de alguns cuidados a ter, como ir devagar, comer e beber, mesmo que o corpo não o peça.

Ontem ao jantar deu ainda para conhecer dois simpáticos inglêses, o Lee e a Gemma (que curiosamente são colegas de trabalho). Fizemo-nos companhia uns aos outros até à hora da dormida. Posso dizer que a Gemma, uma bela inglesa há-de sofrer do mesmo mal que as demais compatriotas, que chegam a uma certa idade e passa a ser acabadas (é um fenómeno que ainda não percebi naquele país).
Já o dia de hoje começou bem cedo, pelas 6:30 (GMT + 2) e houve tempo para preparar tudo. Parece que há 20 pessoas para tratar de cada um de nós. Quase que parece uma réstia do tempo do colonialismo. Na maneira que os locais são, se vestem e afins.
Dos vários turistas que estava no hotel, as divisões estão feitas por veículos. Nós, seguimos agora no jipe que nos foi indicado, por uma estrada de terra, a qual dificulta a escrita com o seu piso irregular.

domingo, 12 de setembro de 2010

Kilimanjaro - Dia 2 - 4:31

O tempo no avião passou depressa, mas não tanto como o desejado. Ainda me deitei no chão, mas uma hospedeira, passado 30 minutos, ao passar no corredor disse que não podia dormir ali. Mesmo assim, foi um momento agradável, esse curto sono.
Lá chegamos a Nairobi e posso dizer que o aeroporto parece um shopping dos anos 70, que durou até aos dias de hoje sem qualquer obra. Uma verdadeira pérola.
O fuso horário aqui são mais 2 horas. O dia arranca mas ainda temos muito a esperar pelo vôo das 9:50.
Talvez tente descansar mais, mas estas cadeiras são muito más e não há assim recantos para aterrar.
E as malas? Será que vieram conosco?